A homofobia em O Mau Exemplo de Cameron Post

Protagonizado por Chloe Grace Moretz, filme vencedor do Festival de Sundance aborda tema oportuno.

Por Ieda Marcondes em 11/04/2019

Baseado no livro de Emily M. Danforth, “O Mau Exemplo de Cameron Post” trata de uma garota, interpretada por Chloe Grace Moretz, que é flagrada fazendo sexo com a melhor amiga e acaba sendo enviada a um acampamento cristão de “cura gay”, onde os irmãos Rick e Lydia (John Gallagher Jr. e Jennifer Ehle) tentam “converter” dezenas de outros adolescentes homossexuais – entre eles, Jane (Sasha Lane) e Adam (Forrest Goodluck), os únicos que parecem resistir à baboseira religiosa.

Durante as sessões constantes de prece e pseudoterapia, Cameron é forçada a vasculhar a própria infância em busca de algo que explique a sua atração por meninas. Em geral, as justificativas sugeridas variam entre muita atenção dada pelos pais, ou pouca atenção dada pelos pais, até a paixão excessiva por esportes supostamente masculinos. Para a direção do acampamento “Promessa de Deus”, a homossexualidade sequer existe, o desejo é apenas uma expressão de pecado, comparável ao vício em drogas.

Vale lembrar que, apesar do discurso do atual presidente de que “ter filho gay é falta de porrada” e o eleitorado homofóbico que aparenta concordar com a afirmação, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais em 1973. A Organização Mundial de Saúde e o Conselho Federal de Psicologia seguem a mesma resolução – o que não significa muito, é claro, para um governo anti-intelectual e sem qualquer apreço pela ciência ou pelos direitos humanos.

Dirigido por Desiree Akhavan, que também assina o roteiro junto com Cecilia Frugiuele, “O Mau Exemplo de Cameron Post” foi vencedor do Festival de Sundance em 2018 e tem estreia prevista para 18/04. Apesar do tema sério, o filme conta com uma fotografia delicada, que não se refestela no sofrimento de seus personagens – Moretz aparece chorando uma única vez, encolhida embaixo de uma mesa, escondida da luz do sol. Há também momentos de leveza no roteiro, que tornam a necessidade de existir, sem repressão ou coerção social, ainda mais urgente.

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