O fantabuloso Aves de Rapina

Com elenco e equipe feminina, Margot Robbie renova o gênero dos super-heróis.

Por Ieda Marcondes em 06/02/2020

Indicada ao Oscar por papéis dramáticos em “Eu, Tonya” e “O Escândalo”, Margot Robbie nunca esteve tão bem como em “Aves de Rapina”. Por sorte, você não precisa assistir “Esquadrão Suicida” ou sequer conhecer a personagem dos quadrinhos para se apaixonar pela sua performance como Harley Quinn, a psiquiatra ensandecida e ex-namorada do palhaço de Gotham – também não é necessário ver o incensado “Coringa”, um filme que não poderia ser mais contrário ao tom vibrante e divertido do novo sucesso da DCEU.

Com roteiro de Christina Hodson, a mesma de “Bumblebee”, e direção de Cathy Yan, destaque no festival de Sundance de 2018, “Aves de Rapina” se desfaz dos monstrengos genéricos de CGI e aposta em elaboradas coreografias de luta contra vilões de carne e osso – aliás, são vários os ossos quebrados. Com classificação indicativa para maiores de 16 anos, a emancipação fantabulosa da Arlequina é um verdadeiro filme de ação, na mesma estirpe de um “John Wick”, mas com um elenco feminino (Chad Stahelski, diretor da trilogia estrelada por Keanu Reeves, participou da produção). 

Como protagonista e produtora, Robbie assegurou que o roteiro e a direção fossem ocupados por mulheres. E faz diferença. Ainda que as personagens sejam todas lindas e sensuais, não há aquela câmera de “Domingo Legal” pairando sobre as bundas das atrizes. Como Caçadora e Canário Negro, Mary Elizabeth Winstead e Jurnee Smollett-Bell brilham em papéis secundários, mas marcantes. É bom também ver Rosie Perez de volta ao cinema, interpretando a detetive Renee Montoya. Como o vilão da vez, Ewan McGregor parece se divertir ao lado do capanga, vivido por um Chris Messina platinado.

Sem a proteção do Coringa, Harley precisa lidar com as dezenas de inimigos que cultivou ao longo dos anos. Para enfrentar o psicopata Romam Sionis (McGregor) e o seu exército particular, ela terá de formar uma aliança feminina – é uma pena, no entanto, que o grupo seja formado já perto do final, deixando um gostinho de quero mais. Sem o feminismo de cartilha de “Capitã Marvel” ou “Mulher Maravilha”, “Aves de Rapina” se opõe ao universo sombrio e masculino de “Batman vs Superman” com um filme divertido e colorido. Só faltou uma piadinha com o nome Martha para ficar perfeito.

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