O feminismo de meia tigela de As Panteras

Kristen Stewart é a única fonte de graça e energia na sequência dirigida por Elizabeth Banks.

Por Ieda Marcondes em 14/11/2019

“As Panteras” começa com Kristen Stewart falando que a mulher pode fazer tudo – depois, há uma montagem de várias meninas, ao redor do mundo todo, andando de skate e dando risada. É o equivalente “politicamente correto” da mulher sorrindo e segurando um garfo de salada, fotografia recorrente em bancos de imagens. Tudo bem, ninguém espera um tratado feminista da sequência de uma refilmagem de uma série de televisão dos anos de 1970. Nesta versão escrita e dirigida por Elizabeth Banks, porém, a atuação de Stewart é um vislumbre do que o filme poderia ter sido: divertido.

Kristen Stewart atua há quase duas décadas, mas foi lançada à infâmia com a saga “Crepúsculo”, no papel da sonsa Bella Swan. Desde então, passou a se interessar por obras mais artísticas e se tornou uma queridinha cult. É bom vê-la de volta ao cinema comercial, pois a experiência que ela adquiriu nos últimos anos é notável. No papel de Sabina Wilson, uma herdeira excêntrica transformada em espiã, Stewart é a única fonte de graça e energia em um filme também estrelado por Naomi Scott, Ella Balinska, Patrick Stewart e a própria Elizabeth Banks.

Toda a trama gira em torno de Elena (Scott), uma engenheira de sistemas responsável por uma nova tecnologia que, em mãos erradas, pode ser transformada em arma. Assim, as Panteras (agora uma organização global) entram em ação – usando, é claro, muitos disfarces, perucas e lutas marciais. Com exceção de Sabina, no entanto, não há o mesmo senso de diversão e absurdo da refilmagem com Drew Barrymore, Cameron Diaz e Lucy Liu. Nem mesmo a trilha sonora tem o mesmo brilho.

Banks investiu no feminismo de meia tigela, mas deveria ter abusado de situações estrambólicas, com figurinos estapafúrdios e, principalmente, senso de humor. Há algumas piadas aqui e ali, mas uma premissa tão nonsense necessita de mais exagero e menos conversinha. Semelhante ao que aconteceu com Kate McKinnon na refilmagem de “Caça-Fantasmas”, Stewart atuou como se estivesse neste filme ideal, mas ninguém mais compareceu ao mesmo set de filmagem. Uma pena.

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