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A sequência do sucesso de 2009 sofre com um humor surrado.
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Depois de assistir “Zumbilândia – Atire Duas Vezes”, fiz questão de conferir a idade do diretor, Ruben Fleischer, e dos roteiristas, Dave Callaham, Rhett Reese e Paul Wernick. Pelo senso de humor do filme, achei que estariam todos beirando os sessenta anos – se fossem brasileiros, estariam compartilhando memes toscos de loira burra via “zapzap”. Na realidade, são homens na faixa dos quarenta, o que torna a coisa toda ainda mais embaraçosa.

Em “Atire Duas Vezes”, uma década já se passou, mas Tallahassee (Woody Harrelson), Columbus (Jesse Eseinberg), Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) seguem firmes e fortes, morando na Casa Branca, com um estoque infinito de armas e munição – comida, aparentemente, também não é um problema, mas não devemos cobrar realismo de “Zumbilândia”. 

Wichita e Little Rock, no entanto, decidem partir para novas aventuras, deixando Columbus solteiro e Tallahassee com síndrome de ninho vazio. Sozinhos, novamente, eles conhecem outros sobreviventes do holocausto zumbi. Uma delas é a patricinha Madison, interpretada com desapego total pela excelente Zoey Deutch. É uma pena, porém, que o seu papel seja tão retrógrado e sem graça. Vestida como um clone de Paris Hilton em meados de 2003, lhe sobram piadas mais surradas do que batidas, como o clássico binóculo invertido, que torna a imagem mais distante (ela é burra e não sabe usar o binóculo, saca).

Aliás, só de escrever esta resenha e usar as palavras “patricinha” e “saca”, eu já me sinto uns 15 anos mais velha, que foi também como eu me senti no cinema. Já que o filme é todo narrado e centrado e em uma série de regras, estou aqui quebrando uma das minhas: usar a primeira voz para escrever sobre um filme. Achei que o padrão impessoal, mais profissional, não seria suficiente para retratar o meu tédio ao assistir “Zumbilândia – Atira Duas Vezes”.

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