HBO Max: The Other Two

Série satiriza show business sem perder a ternura pelos personagens.

Por Ieda Marcondes em 01/10/2021

Criada por Chris Kelly e Sarah Schneider, ex-roteiristas do Saturday Night Live, “The Other Two” é uma comédia sobre os irmãos menos famosos de Chase Dreams (interpretado pelo tiktoker Case Walker), um garoto de treze anos que se torna a sensação do momento após lançar um clipe viral no YouTube. Brooke (Heléne Yorke) é uma dançarina fracassada e Cary (Drew Tarver) é um ator/garçom com um agente que não serve para nada. A fama repentina do caçula da família acaba virando uma porta de entrada para o mundo do show business.

A sempre excelente Molly Shannon vive a mãe dos três. Junto com Chase, ela se muda de Ohio para Nova York para acompanhar a carreira do filho, mas ninguém se importa muito com os absurdos da vida de artista (como, por exemplo, quando Chase tinge a língua de rosa para parecer ainda mais jovem), desde que possam tirar alguma lasquinha dos benefícios. Além de satirizar a cultura de celebridades, com suas estratégias bizarras de marketing e a constante criação de conteúdo, “The Other Two” trata das diferenças geracionais.

Brooke e Cary já estão na casa dos 30 anos. Como millennials típicos, nada do que eles almejavam na vida aconteceu de verdade. Há um contraste enorme entre o que eles conquistaram e o sucesso repentino do irmão mais novo (a geração Z também parece lidar com tudo de forma estranhamente natural e madura). Por trás da paródia do ramo do entretenimento e do comentário geracional, há o elemento da dramédia familiar que arremata toda a trama. Por mais que seja hilário vê-los falhar, torcemos por um bom desfecho.

Já com uma terceira temporada em produção, “The Other Two” parece nova e diferente das outras comédias, justamente pela honestidade com que ridiculariza o show business e o universo das redes sociais, mas sem nunca perder a ternura por seus personagens. É também revigorante ver um protagonista gay lidar com assuntos mais específicos, como a necessidade de “parecer hétero” para ser contratado e a própria internalização da homofobia. Trata-se de uma série que parece inédita porque trata de millennials sentindo a própria obsolescência.

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