Netflix: Bo Burnham Inside

Especial de Bo Burnham é o melhor retrato da pandemia.

Por Ieda Marcondes em 01/06/2021

Aos 16 anos de idade, Bo Burnham ficou famoso com músicas engraçadas de sua própria autoria que ele publicava no YouTube em meados de 2006, nos primórdios da plataforma. Músicas como “My Whole Family (Thinks I’m Gay)” ou “minha família toda (pensa que eu sou gay)” chamaram a atenção dos executivos da Comedy Central e Burnham começou a trabalhar em programas de televisão e especiais de comédia. Após “Make Happy”, lançado pela Netflix em 2016, ele abandonou o stand-up para tratar da saúde mental.

“Make Happy” termina com uma música sobre o seu desejo de atenção, a sua dependência afetiva do público e os ataques de pânico que ele passou a ter antes de toda apresentação. Nesse período de cinco anos, Burnham se dedicou a outros tipos de expressão artística, como a direção (“Oitava Série” trata de uma adolescente introvertida que grava vídeos para o YouTube) e a atuação (ele faz o par romântico de Carey Mulligan no premiado “Bela Vingança”). Quando tudo parecia melhorar, veio a pandemia.

Preso em um quarto com um teclado e uma câmera, da mesma forma que começou a carreira, Burnham escreveu, gravou e editou um novo especial sozinho – completamente sozinho. Já disponível na Netflix, “Inside” conta com números musicais sobre a quarentena, a cultura do cancelamento e a prática do sexting. Além disso, Burnham trata de como produzimos e consumimos conteúdo na internet, como submetemos as nossas emoções e as nossas vidas a uma lógica capitalista que só beneficia os “reptilianos” do Vale do Silício.

Sim, é intenso. Filmado durante vários meses de 2020, o comprimento do cabelo e da barba de Burnham serve para nos situar no tempo e no estado mental do comediante. Quanto mais cabeludo, mais desesperado. No segundo bloco do especial, mais adiante na quarentena, suas músicas ficam menos irônicas e vão além da simples paródia. “Inside” retrata a deterioração mental durante a pandemia, mas também o arrebatamento do mundo digital, o desejo e o medo de retornar ao chamado “normal”.

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