Vingadores: Ultimato prepara o futuro da Marvel

Com duração de 3 horas, a conclusão da saga "Vingadores" é a melhor aplicação possível do conceito de "fan service".

Por Ieda Marcondes em 26/04/2019

Não se preocupe. Pode continuar lendo se você não viu “Vingadores: Ultimato” e não quer ficar sabendo o que acontece no filme. Sem revelar qualquer detalhe crucial da trama, vou analisá-lo de forma bastante geral, deixando todas as grandes surpresas de lado.

Dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo, “Vingadores: Ultimato” é a apoteose não só da trilogia “Vingadores”, mas de todas as produções da Marvel desde “O Homem de Ferro”, em 2008. Depois da vitória de Thanos em “Vingadores: Guerra Infinita”, os heróis que sobreviveram ao fatídico estalo do titã precisam reencontrar as Joias do Infinito se quiserem trazer os dizimados de volta – o que, é claro, não será fácil.

Com duração de 3 horas, há tempo suficiente para que cada vingador lide com o seu passado e se prepare para o futuro (se houver algum). Dessa forma, “Ultimato” revisita os filmes anteriores e presenteia o espectador com diversos personagens queridos que haviam sido engavetados antes mesmo de “Guerra Infinita”. Para um fã do universo da Marvel, que vem consumindo os títulos já há mais de dez anos, é perfeito. É a melhor aplicação possível do conceito de “fan service”.

Um dos arcos mais interessantes, e que pode contrariar os fãs mais reacionários, é o de Thor, o herói mais curioso da produtora, graças ao hilário “Thor: Ragnarok” (2017). O antigo brutamontes do original de 2011 agora enfrenta o sentimento de culpa, por não ter impedido o estalo de Thanos, de uma forma demasiadamente humana para um deus do trovão. Através do luto, Thor irá repensar o seu papel no mundo e também a própria masculinidade (um recado da Disney, talvez, ao fandom mais tóxico de suas franquias).

A batalha final (porque é claro que haveria uma batalha final) é de encher os olhos. Há uma certa generosidade por parte dos diretores em tratar toda a luta como um verdadeiro trabalho em equipe – e com um espaço muito bem definido para as mulheres da saga, um detalhe que parece comentar o boicote fracassado ao “Capitã Marvel”. Assim, a Marvel abre o caminho para uma próxima fase, aparentemente, mais inclusiva e diversa. Enquanto alguns círculos se fecham, outros estão apenas começando.

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