HBO Max: Wellington Paranormal

Do mesmo universo de "What We Do in the Shadows", série mistura The Office com Arquivo X.

Por Ieda Marcondes em 30/08/2021

“Wellington Paranormal” é uma série spin-off da brilhante comédia “What We Do in the Shadows” (2014), que também rendeu uma adaptação televisiva de mesmo nome, já em sua terceira temporada. No filme original, dirigido e protagonizado pelos neozelandeses Jemaine Clement (da série “Flight of the Conchords”) e Taika Waititi (“Thor: Ragnarok”, “Jojo Rabbit”), quatro vampiros vivem juntos e lidam com situações mundanas – em uma breve cena, dois policiais desastrados investigam a casa, os oficiais Minogue e O'Leary.

Para apreciar “Wellington Paranormal”, disponível na HBO Max, não é preciso conhecer o universo de “What We Do in the Shadows” (embora, seja muito recomendado). Basta saber que Minogue e O’Leary, interpretados por Mike Minogue e Karen O’Leary, são dois policiais da divisão paranormal da polícia de Wellington, na Nova Zelândia, onde tudo pode acontecer. Logo na primeira temporada, a dupla enfrenta possessões demoníacas, invasões extraterrestres, casas mal assombradas, lobisomens, zumbis e, é claro, vampiros.

Há pequenas participações de personagens do original (como o vampiro Nick), mas as piadas não dependem de qualquer conhecimento prévio – isto é, se você já sabe como lobisomens ou zumbis “funcionam” e se já está familiarizado com o gênero do documentário falso, como utilizado em “The Office” ou “Parks and Recreation”. De modo geral, os episódios podem ser assistidos em qualquer ordem, pois não há uma trama recorrente. Cada aventura começa com uma ocorrência que leva os policias à investigação e à conclusão (ou não) do caso. 

Criada por Clement e Waititi, “Wellignton Paranormal” também conta com o roteiro e a direção de Clement por diversos episódios. Isto significa que os personagens se deparam com as situações mais absurdas daquela forma impassível e cara de pau que se tornou a marca registrada do humor neozelandês. O policial Minogue é o mais bobalhão, enquanto O’Leary é a mais certinha. Maaka Pohatu é o capitão que chefia os dois e também o mais entusiasmado com os fenômenos sobrenaturais. Apesar das boas intenções, tudo sempre se complica.

Com episódios de mais ou menos 20 minutos, “Wellington Paranormal” é agradavelmente boba, do tipo de entretenimento que recarrega as nossas baterias, em vez de drená-las. O timing cômico dos atores é perfeito, a maior parte dos efeitos especiais é executada de forma prática e eficaz. Diferente de séries dramáticas focadas em anti-heróis, ela retrata pessoas boas que são policiais péssimos – ou seja, não se trata de “copaganda” (uma propaganda favorável à polícia) porque os personagens são benignos, mas profundamente inaptos.

Comparada com a série de “What We Do in the Shadows”, “Wellington Paranormal” não é tão ambiciosa ou consistente, mas não subestime o valor de uma boa bobeira.

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