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Sra. Maisel e o fim da televisão

A Maravilhosa Sra. Maisel como o canário na mina de carvão do streaming.
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Em sua quinta e última temporada, “A Maravilhosa Sra. Maisel” viaja no tempo para arrematar a trama da dona de casa que se torna comediante após a traição do marido. Há vislumbres, por exemplo, dos filhos de Midge já adultos e de como eles lidaram com a carreira da mãe – cenas que nos fazem desejar que a série continuasse por mais umas cinco temporadas.

Escrita e dirigida por Amy Sherman-Palladino, de “Gilmore Girls”, “Sra. Maisel” adota o ponto de vista de uma patricinha judia de Nova York, mais ou menos inspirada em Joan Rivers, que vê o casamento desmoronar e acaba testemunhando um período de transformações radicais na cultura e na sociedade dos Estados Unidos, entre os anos de 1950 e 1960.

Os saltos temporais, que vão e voltam de até 2005, dão a impressão de que a série ainda teria muito mais a dizer, mas que tanto os criadores como parte significativa do elenco escolheram, por motivos incertos, partir para outros projetos – Brosnahan, no momento, é cotada para viver Lois Lane, por sinal.

Lançada em 2017 e bastante prejudicada pela pandemia, “Sra. Maisel” venceu vários prêmios Emmy e, apesar de não ter conquistado tantos espectadores como um “Game of Thrones”, considero como a melhor série original da Amazon Prime Video porque tinha uma qualidade autoral, sempre com uma direção de arte de cair o queixo, uma bela fotografia e um figurino impecável.

Da forma que as plataformas de streaming se desenvolveram, é cada vez mais difícil ver uma série passar dos 50 episódios. “Sopranos”, por exemplo, teve 6 temporadas produzidas entre 1999 e 2007, mas um total de 86 episódios. “Mad Men”, que também se passa durante a década de 1960, teve 92 – “Maisel” finaliza com 43.

Por explorarem seus personagens a fundo, séries como “Sopranos” e “Mad Men” provocaram uma enxurrada de análises, por volta dos anos 2000, alegando que a televisão era o novo cinema. Dado que, por uma decisão desastrada de marketing, a HBO Max agora é conhecida apenas como Max, foi decretada a morte do antigo slogan “não é TV, é HBO”.

Em meio a tantos cancelamentos e séries que desapareceram sem qualquer tentativa de conclusão após duas ou três temporadas, como “Glow” ou “Santa Clarita Diet” da Nettlix, o final de “Maisel” pode não parecer muito significativo, mas sinaliza o fim de um período em que o formato televisivo acolhia os artistas e suas visões.

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