Histórias Assustadoras para Contar no Escuro

Produção de Guillermo del Toro introduz adolescentes ao gênero do terror.

Por Ieda Marcondes em 09/08/2019

Ainda falta muito tempo para o Halloween, mas os lançamentos de terror vão dominar os meses de agosto e setembro. Com produção de Guillermo del Toro, “Histórias Assustadoras para Contar no Escuro” não deve ser o melhor ou o pior dessa leva, mas tem bons sustos. Baseado nos livros infantojuvenis de Alvin Schwartz, o filme dirigido por André Øvredal, o mesmo do eficaz “A Autópsia” (2016), acompanha um grupo de adolescentes durante o fatídico Dia das Bruxas de 1968.

Stella (Margaret Colletti) é uma garota fascinada por filmes de terror e que, junto de seus amigos Augie (Gabriel Rush) e Chuck (Austin Zajur), acaba conhecendo Ramón (Michael Garza) e entrando numa casa mal assombrada. Em um quarto secreto, ela encontra um livro de histórias assustadoras, todas criadas por Sarah Bellows, figura misteriosa da cidadezinha de Mill Valley, na Pensilvânia. Escritas em sangue, cada história tem relação com o desaparecimento de um personagem e envolve criaturas fantásticas, todas muito bem concebidas (inclusive um espantalho de fisionomia familiar).

Sem mostrar sangue e tripas, “Histórias Assustadoras para Contar no Escuro” é uma boa sessão da tarde, que funciona como uma espécie de introdução ao gênero do terror para um público infantojuvenil, com uma coletânea de “creepypastas” mais bem elaboradas e divertidas do que “Slenderman” ou “Jeff the Killer”. Infelizmente, as partes não-sobrenaturais são chatinhas e os personagens não provocam uma impressão forte o suficiente para nos importarmos com eles.

Há toda uma tentativa boba em tornar o contexto de 1968 mais atual, traçando paralelos entre Richard Nixon e Donald Trump, o preconceito e a perseguição que o personagem de Ramón sofre simplesmente por ser mexicano. É como se os roteiristas quisessem validar o próprio trabalho, forçando uma relevância desnecessária – porque tratar “apenas” de lendas urbanas é muito fútil, tem de haver também algum comentário sociopolítico.

Em 2017, “It – A Coisa” foi um sucesso tão fenomenal porque havia graça no filme mesmo quando o palhaço Pennywise não aparecia. Em “Histórias Assustadoras para Contar no Escuro”, a vontade é pular as partes mais realistas e ir direto para os monstros.

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