O trauma de Deixando Neverland

Documentário da HBO detalha abusos sexuais cometidos por Michael Jackson.

Por Ieda Marcondes em 14/03/2019

Michael Jackson alcançou a fama muito cedo, foi abusado pelo pai e acabou se tornando uma figura trágica, com ódio da própria aparência e um fetiche sexual pela infância – em especial, meninos de 7 a 12 anos que se vestissem como ele e imitassem os seus movimentos mais característicos de dança. Seu talento inegável na indústria do entretenimento, contudo, não pode ofuscar um comportamento doentio e criminoso, comprovado pelos seguintes fatos:

– Ao todo, 5 garotos acusaram Michael Jackson de abuso infantil: Jordie Chandler, Jason Francia, Gavin Arvizo, Wade Robson e Jimmy Safechuck (os dois últimos aparecem, já adultos, em “Deixando Neverland”, documentário em duas partes que será exibido pela HBO nos dias 16/03 e 17/03, sempre às 20h).

– Peritos encontraram impressões digitais dos meninos no material pornográfico que Jackson mantinha no chamado “Rancho Neverland”, uma coleção que incluía imagens de sadomasoquismo e pedofilia.

– Jordie Chandler chegou a desenhar o padrão das descolorações do pênis de Jackson, que sofria de vitiligo. O desenho batia com a genitália do cantor.

As informações acima são de Maureen Orth, jornalista que passou mais de uma década cobrindo as acusações contra Michael Jackson, que foi defendido pelos mais caros advogados da época. Apesar de ter sido inocentado em 2005, não há como duvidar do seu envolvimento bizarro com os garotos e as suas respectivas famílias, o que é evidente em “Deixando Neverland”.

Com a promessa de carreiras artísticas e presentes caríssimos, além de passagens de primeira classe, estadias nos principais hotéis e passeios de limusine, Jackson pedia aos pais para ficar sozinho com os meninos, que dividiam a cama com o cantor por noites a fio. Ao longo dos anos, as relações entre as famílias ficaram estremecidas, casamentos foram desfeitos, os pais de Jordie Chandler e de Wade Robson cometeram suicídio.

Ainda hoje, há quem defenda o “rei do pop” porque ele mesmo nunca teve uma infância sadia, pois sofrera abusos terríveis dentro da própria família e agia como “uma criança”, sempre de forma pura e inocente. Mesmo ignorando todas as evidências, não é natural permitir que uma criança passe a noite trancada com um desconhecido de 34 anos, por mais que o desconhecido em questão seja uma celebridade internacional.

Documentários como “Sequestrada à Luz do Dia” (disponível na Netflix) e “Deixando Neverland” evidenciam não só a crueldade dos abusadores, como também a ingenuidade dos pais que, seduzidos e manipulados por predadores, entregam os próprios filhos sem qualquer desconfiança. Fora o trauma irreparável da criança, é o aspecto mais cruel do abuso de menores, pois destrói toda a unidade familiar.

Com a repercussão de “Deixando Neverland”, algumas rádios decidiram parar de transmitir músicas de Michael Jackson. Um episódio de 1991 da série “Os Simpsons”, com participação do cantor, também foi recolhido de circulação.

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