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Vencedor de dois prêmios Oscar conta história do líder dos Panteras Negras.
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Acostumada a contar histórias negras pela perspectiva dos brancos, como “Um Sonho Possível”, “Histórias Cruzadas” e “Green Book”, Hollywood atende às expectativas de um público branco, ensinando-o a performar sua branquitude quando em contato com a negritude. Vencedor de dois prêmios Oscar, inclusive melhor ator coadjuvante para o britânico Daniel Kaluuya, “Judas e o Messias Negro” foi considerado, pelo New York Times, como “o filme americano de grande mídia mais negro e radical desde ‘Malcolm X’, dirigido por Spike Lee em 1992”.

Dirigido por Shaka King, “Judas e o Messias Negro” conta a história de Fred Hampton (Kaluuya), líder do partido dos Panteras Negras que foi assassinado aos 21 anos de idade pelo FBI e a polícia de Chicago com o auxílio do próprio chefe de segurança, o informante infiltrado Bill O’Neal (LaKeith Stanfield), em 1969. Na vida real, O’Neal deu uma entrevista em que detalhava a sua participação no assassinato e se suicidou no dia em que o programa iria ao ar, em 15 de janeiro de 1990, dia de Martin Luther King.

O filme acompanha a luta de Hampton como um jovem revolucionário anticapitalista e o seu romance com a ativista Deborah Johnson (Dominique Fishback), além do processo que levou O’Neal a se infiltrar nos Panteras Negras, ganhar a amizade de Hampton e cometer a traição. “Judas e o Messias Negro” retrata O’Neal como um golpista barato que acaba seduzido pelo FBI com promessas de jantares caros, charutos e uísque escocês. Com roteiro de Shaka King e Will Berson, O’Neal não é um personagem tão convincente quanto Hampton.

Kaluuya tem uma presença dominante e foi mesmo a escolha certa para o Oscar de 2021, mas LaKeith (excelente em filmes como “Corra”, “Desculpe te Incomodar” e “Joias Brutas”) parece exagerado no papel, talvez por tentar encarnar um adolescente de 17 anos, a idade em que O’Neal começou a trabalhar para o FBI. Com uma energia nervosa e inquieta, ele acaba se envolvendo em um dilema moral sem qualquer capacidade para compreendê-lo, o que suaviza boa parte do impacto de suas escolhas.

Em “Judas e o Messias Negro”, Martin Sheen interpreta J. Edgar Hoover, então diretor do FBI, que tem a missão de evitar o surgimento de um “messias negro”. Afinal, um líder popular como Hampton, que se esforçava para montar a chamada Coalizão Arco-Íris, poderia causar a ascensão de uma verdadeira democracia multirracial. Na obra produzida por Ryan Coogler, diretor de “Pantera Negra”, os mocinhos são os radicais negros e o governo americano, fundado sobre os alicerces da supremacia branca, é o inimigo declarado.

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