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Anne Hathaway e Ewan McGregor enfrentam dinossauros em "O Fim da Rua", uma baboseira que tenta emular Steven Spielberg.
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Alguns críticos vêm chamando “O Fim da Rua” de “o melhor filme de dinossauros desde ‘Jurassic Park’”, o que só indica que as produções das últimas três décadas foram mesmo muito ruins. Na nova aventura jurássica, há uma cena em que a personagem interpretada por Anne Hathaway pede ao marido, vivido por Ewan McGregor, para posar para uma foto. Ela diz que quer registrar “este momento insano e estúpido” – dois adjetivos que, curiosamente, também qualificam a obra.

Passado na década de 1980, o filme tenta emular uma vibe Spielbergiana, que nada mais é do que um apelo à nostalgia de um público quarentão (nada contra, faço 40 na próxima semana). Em geral, sempre que não querem lidar com internet ou smartphone, os roteiristas retornam à era analógica. Em “O Fim da Rua”, entretanto, não há necessidade disto – fora, é claro, a tentativa de forjar um vínculo emocional com o espectador.

Por conta de um “buraco de minhoca”, isto é, um portal aleatório no contínuo espaço-tempo, o subúrbio em que a família Platt reside foi transportado para a Pré-história. Assim mesmo, a vizinhança inteira, do nada. Pela maior parte da trama, os personagens não têm energia elétrica, linha telefônica ou água corrente. É óbvio que também não teriam wifi ou 5G.

A estética mais ou menos oitentista de “O Fim da Rua” (as roupas são de época, mas os cabelos e a maquiagem não; há um ou outro diopter dividido, recurso muito utilizado na montagem de então, mas a aparência geral é contemporânea) remete a esses vídeos de IA em que o passado é um enorme vale da estranheza – parece 1982, mas tem algo errado…

É mais surreal ainda quando, já cientes de que estão cercados por dinossauros(!!), os personagens insistem em picuinhas “atuais”, como o bully adolescente que persegue o garoto para se vingar do cascudo que, dias antes, ele deu no seu irmãozinho. Tudo bem, são crianças. É claro que, em meio ao caos total, perguntariam “como é estudar num colégio particular?” para uma outra criança, mas até os adultos agem de forma imbecil.

Mesmo nas circunstâncias mais fantasiosas, o bacana de filmes assim – sejam dinossauros, alienígenas, zumbis, catástrofes climáticas etc. – é nos colocarmos no lugar dos personagens. O que eu faria nesta situação? Como eu me protegeria? Só que, para entregar uma catarse no final, “O Fim da Rua” faz os protagonistas terem uma discussão de relacionamento no momento mais absurdo. Diante da iminência da morte, pouco importa um possível divórcio.

Mais adiante, o filme arrisca um ponto de virada mais ousado, um choque inesperado – mas como na cena mais infame de “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2”, era tudo brincadeirinha. Apesar de uma cena ou outra mais brutal, tudo acaba bem para os nossos heróis. Até o cachorro da família é uma espécie de Lassie ou Rin-Tin-Tin que ressurge bravamente num momento de crise.

O mais decepcionante da coisa toda, porém, é saber que o diretor de “O Fim da Rua” é David Robert Mitchell, o mesmo de “Corrente do Mal” e “O Mistério de Silver Lake” – duas obras díspares, mas de substância e estilo. É como se Mitchell tivesse ficado frustrado com o fracasso comercial de “Silver Lake” e desistido de vez. “Vocês querem um filme burro de estúdio? Tá bom, eu faço um filme burro de estúdio. Divirtam-se com essa baboseira.”

“O Fim da Rua” até pode ser divertido, mas é baboseira.

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